Reinventar o Talento: Decisões Cruciais para a Competitividade de Portugal
- Paula Francisca Fernandes
- 4 days ago
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Notícias de negócios Portugal - Com o início de um novo ano, regressa a discussão sobre prioridades, crescimento e futuro. No meio desse debate, há um tema que Portugal ainda não está a encarar devidamente: o impacto real da Inteligência Artificial na nossa capacidade de crescer como país.
Portugal tem sido atrativo para empresas estrangeiras. Qualidade de vida, segurança, estabilidade, talento capacitado. Essa combinação trouxe investimento e colocou o país no radar global. Foi eficaz. Mas a IA mudou o contexto — e mudou-o depressa.
Hoje, as empresas não escolhem países por serem agradáveis. Escolhem-nos pela capacidade de crescer e desafiar. E crescer, neste novo contexto, significa uma coisa muito concreta: talento certo à escala certa, no tempo certo.
É aqui que surge o grande desafio. Temos profissionais qualificados, mas não temos ainda massa crítica suficiente de talento altamente especializado para responder à velocidade a que o mercado avança. Formamos e atraímos, mas nem sempre retemos. Continuamos a acreditar que qualidade de vida resolve tudo, o que não é verdade.
Talento que trabalha em IA, dados ou engenharia avançada quer impacto, quer desafios complexos, quer acesso a tecnologia de ponta e ambientes onde as decisões não demoram meses.
Durante anos crescemos com um modelo baseado em custo competitivo e talento júnior forte. A IA veio testar os limites desse modelo. Crescer hoje não é ter mais pessoas — é gerar mais valor por pessoa. E isso exige especialistas, equipas experientes e projetos ambiciosos.
Há também uma ilusão confortável: a de que gerar e atrair talento é suficiente. Não é. O verdadeiro teste está em criar condições para que esse talento fique, evolua e traga outros consigo. Sem centros de decisão, sem projetos globais, sem investimento consistente em tecnologia avançada, Portugal corre o risco de ser apenas um ponto de passagem.
A IA não trouxe um problema. Trouxe um desafio claro — e uma oportunidade. Países que conseguem crescer são os que tratam talento como um activo estratégico, fazem escolhas claras e executam com rapidez.
Portugal ainda vai a tempo. Tem base, tem reputação e tem pessoas capazes.
O que este novo ano exige é uma decisão clara: tratar capacitação e formação como investimento estratégico de crescimento, não como política acessória.
Num mundo moldado pela IA, formar devagar é o mesmo que ficar para trás. Crescer exige requalificar em escala, acelerar a formação avançada e criar percursos reais para talento sénior e especializado.
Não basta atrair pessoas — é preciso dar-lhes ferramentas, desafios e futuro.
Países que crescem não são os que falam mais de talento apenas, são os que investem nele de forma contínua e sem hesitações.
O futuro não vai esperar que aprendamos ao nosso ritmo. Vai avançar com quem aprender mais depressa.
Autor: Paula Francisca Fernandes, Managing Director – Technology Lead Accenture Portugal
Sobre Paula Francisca Fernandes: Portuguese woman among winners of Microsoft Power Women Awards



